Workflow HDV – Parte 2

28 maio, 2007

Em relação ao uso da JY-HD110 da JVC algumas coisas se alteram. Essa câmera ficou, até pouco tempo atrás, um pouco segmentada pela falta de compatibilidade com as plataformas de edição não lineares. A partir do update do Final Cut (ainda na versão 5) e do suporte do Lumiere HD, tudo ficou mais simples. O formato ProHD, com 720p, gravando a 24 quadros, é um facilitador para distribuição em película. Além disso, trata-se de uma câmera diferenciada, com lente intercambiável, ajustes avançados (como níveis de branco, preto, gama, temperatura e outros) e desenho mais robusto.

GY-HD110

Ela também pode ser utilizada com o FireStore DR-HD100, da Focus (US$ 1,600), que grava 100 GB de material, que no formato ProHD ocupa um pouco menos de espaço que no HDV. A Matrox MXO tem suporte para ele na versão 2.0, lançada recentemente. Assim é possível fazer um downconvert em tempo real para NTSC num monitor CTR broadcast ou pela saída DVI fazer monitoração HDTV (1920 x 1080) num Apple Cinema Display. Os arquivos do FireStore em ProHD são compatíveis com a MXO já que o equipamento não interage com codecs. Nesse post é possível ver algumas dúvidas que eu tirei com os técnicos da Matrox sobre compatibilidades e funcionamento.

Uma outra opção interessante a ser integrada nesse sistema é o so funcionamento com os arquivo do FireStore DR-HD100, já que o sistema é pensado para captura direto do VT ou da câmera. Mas tenho a impressão que o processo funcionaria.

Clicando aqui (arquivo com 4,5 MB), eu disponibilizo uma matéria publicada na TELA VIVA (julho de 2005) sobre o lançamento da GY-HD100. Trata-se de um artigo bastante técnico de Steve Mullen (Video Systems), mas que esclarece diversas questões sobre o formato ProHD.


O Joost está no ar…

15 maio, 2007

Agora já está mais fácil o acesso ao Joost. Só é preciso de um convite, exatamente como era feito com o Gmail.

Nesse blog é possível pedir um convite: Random Good Stuff – The Entertainment Blog

Para conhecer mais do Joost entre no site.


Workflow HDV – parte 1

10 maio, 2007

Abaixo coloco uma adaptação do workflow fornecido no hot site da nova Sony V1. Com o uso dos novos firestores no lugar das fitas (ou ao mesmo tempo), o processo de trabalho é muito facilitado para editores e para a entrega do produto. Mas isso também altera a compra de equipamentos. De nada adianta uma placa de captura e aceleração se ela mesma não lida com os arquivos “m2t” provenientes dos firestores. A não ser, é claro, se o firestore for utilizado com VTR e digitalizado pela placa, mas nesse caso a grande vantagem do equipamento não seria utilizada.

Nesse contexto duas soluções são a Matrox MXO (US$ 900) e a linha Kona da AJA (com preços começam a US$ 2,600). Essa última, apesar de ser também uma placa de captura, acelara o processamento dos arquivos HDV. Uma opção além da necessidade para quem trabalha exclusivamente com HDV e DV.

Nas próximas partes vou escrever sobre os workflows da GY-HD100 e HVX-200, além de outros equipamentos associados, como monitores.

workflow_v1.jpg


Uma questão de foco

16 abril, 2007

É bem interessante a reportagem que saiu no caderno “TV e Lazer” do Estadão desse domingo. Entender outras realidades e experiências podem nos colocar diante de novas perspectivas. Acho que a discussão não pode ser encarada de forma pontual e deve cruzar necessariamente duas questões:

FINANCIAMENTO

É impossível pensar em trazer o modelo de financiamento via imposto para nossa realidade. Isso é bastante claro e a contundente negativa à proposta do então governador Mário Covas deixou isso ainda mais evidente. É interessante como esse tipo de imposto é cobrado na Inglaterra ou França, atrelado à aquisição de um aparelho de televisão. Do mesmo modo, pensar em modelos que priorizem o capital estatal é, na verdade, escamotear a discussão, pois o dinheiro está vindo da mesma fonte – o contribuinte – com a vantagem de dar mais liberdade e ingerência à aplicação dos recursos. Não é nada barato a instalação de um parque de produção e transmissão de conteúdo, ainda mais para o Brasil todo, como pretende o governo federal. Talvez por isso a questão seja tão assombrosa. É prioridade a injeção de 250 milhões de reais diretamente dos cofres públicos? Ou existem alternativas que sejam mais condizentes com a realidade econômica do país? Com certeza outras alternativas de financiamento implicam obrigatoriamente em novos modelos de gestão e concepção de conteúdo. E isso não está de maneira alguma dentro dos limites enquadrados pela burocracia brasileira.

CONTEÚDO

Com certeza a frase do presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, destacada na reportagem do Estadão é emblemática nesse sentido. Se a TV Pública não deve brigar pela audiência da TV Comercial, então não devemos ter TV Pública no Brasil. Uma produção audiovisual é realizada para ser vista. Pensar que certos conteúdos são exclusivos de um segmento de televisão (e mais, que a linguagem também deve ser exclusiva) é de um retrocesso sem tamanho. De um pedantismo autoritário. O caso da TVN chilena é bem oposto a essa situação. Líder de audiência, talvez conte com um conteúdo excessivamente apelativo, mas a variedade (inclusive com a presença de documentários na programação) se faz presente. Porém, via de regra, a TV Pública quase nunca vai disputar audiência com as comerciais mesmo. Mesmo assim, esse deve ser seu direcionamento. Se a CBC canadense não consegue disputar o share com as grandes, ela parece construir uma programação diferenciada e atual, além da forte tradição de fomento à produção. Mas a mentalidade provinciana aqui no Brasil (e não só no governo diga-se de passagem) é mais forte que qualquer tentativa de se repensar conteúdo e relação com o telespectador. Dá até para imaginar os programas de “cultura popular” que serão realizados. Isso lembra um pouco daquela história “o filme não deu bilheteria porque era uma filme difícil”.

Outro fato é que, no geral, a maioria dessas emissoras públicas estrangeiras têm uma estrutura absurdamente enxuta comparada aos monstrengos burocráticos brasileiros. E tudo leva a crer que a nova TV Pública será mais uma dessas. Só que muito maior. Talvez mais um espaço de loteamento político, já que não está desenhada uma estrutura independente (se bem que até as “independentes” com a TV Cultura sofrem com a ingerência estatal). E com certeza mais um espaço em que o produtor independente encontrará uma montanha de editais para a realização de documentários que terão audiência pífia. As estruturas já existentes de TV Pública e/ou Educativa continuarão sucateadas, isso é certo. Não só por falta de verba, mas principalmente pela falta de reestruturação interna e modernização conceitual. Claro que existem pessoas dentro delas que querem mudar isso, mas o peso da burocracia normalmente fala mais alto. A entrada de capital privado por meio de comerciais só atrasa ainda mais a discussão. Na verdade, o que importa é pensar como esse capital vai ser aplicado e o que a TV Pública e/ou Educativa pode oferecer como diferencial competitivo dentro de diferentes ninchos no mercado televisivo. É batalhar pela audiência, brigar pelo Ibope, mas não desgrudar o olho daquilo que nenhuma TV Comercial aberta tem compromisso: a qualidade.

Enfim, o Governo Federal, como em outros setores, amplia seu poder de barganha com mercado privado, que fornecerá conteúdo à nova TV Púbica (imaginando-se que ela vá existir, como tudo leva a crer). Poderá ser um belo encosto para alguns. Mas, como sempre, as mudanças que mais interessam não estão em foco. Questões como as altas taxas de importação de equipamentos audiovisuais e o monopólio na distribuição estão intocáveis. A chance do governo atuar como agente regulador do mercado privado em benefício da pluralidade de conteúdo foi sacrificado na escolha da TV Digital. Isso tudo só impõe novos desafios ao produtor independente, que se vê obrigado a inventar novas formas de comercialização e buscar as co-produção internacionais.

OUTRAS TV PÚBLICAS E/OU EDUCATIVAS:

PBS (EUA)
BBC (Reino Unido)
TF5 (França) (existem ainda o TF2, TF3 e TF4)
TV Cultura (Brasil)
TVE (Brasil)


Para início de conversa…

9 abril, 2007

Esse blog surge como uma necessidade individual e, com certeza, compartilhada por muitas pessoas. As incertezas de uma área ainda pequena, que almeja crescer sem uma plataforma de mercado estruturada, aflige aqueles que estão iniciando suas trajetórias. Mas, ao mesmo tempo, nos coloca diante de uma possibilidade única para a produção independente no Brasil: construir ativamente novas formatações de produtos audiovisuais, que busquem a estruturação de um mercado mais autônomo e plural. Ir além do filme, pensando-o de forma a ser viabilizado comercialmente, distribuído e visto, que é seu objetivo final.

E não há como pensar e discutir essas questões sem colocar em pauta a linguagem audivisual. Ela passa a ser a via de condução de bons filmes a um público mais amplo. Talvez essa perda de “autonomia” do cineasta traga insatisfação a alguns, mas com certeza introduz novos paradigmas àqueles que buscam de forma quase neurótica novos públicos, novas discussões e novos modelos.

Aí está um pouco do que eu e outros colaboradores pretendemos discutir aqui. Sem “voz de Deus” e com abertura para diferentes opiniões, pretendemos construir não só um espaço de discussão, mas principalmente integrar isso a um banco de informações, que tenha informações inéditas sobre produções, experiências e mercado. Algo que está difícil de encontrar pela internet, de maneira mais segmentada.

Um bom exemplo disso nos EUA é a revista Real Magazine (http://www.realscreen.com), exemplo concreto do que a constituição de um mercado fomenta.

Nos vemos na próxima.


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